Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

Almada Negreiros

Retrato de Fernando Pessoa

publicado por es3cebc9c12h às 21:36
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

MANIFESTO ANTI-DANTAS - ALMEIDA NEGREIROS

Uma geração, que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi! É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

Abaixo a geração!

Morra o Dantas, morra! - PIM!

Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!

Uma geração com um Dantas à prôa é uma canoa em seco!

O Dantas é um cigano!

O Dantas é meio cigano!

O Dantas saberá gramática, saberá syntase, saberá medicina, saberá fazer ceias para cardeais, saberá tudo menos escrever que é a única coisa que ele faz!

O Dantas pesca tanto de poesia que até fax sonetos com ligas de duquesas!

O Dantas é habilidoso!

O Dantas veste-se mal!

O Dantas usa ceroulas de malha!

O Dantas especula e inócula os concubinos!

O Dantas é Dantas!

O Dantas é Júlio!

Morra o Dantas, morra! - PIM!

O Dantas fez uma sorôr Mariana que tanto o podia ser como a sorôr Inez, ou a Ignez de Castro, ou a Leonor de Telles, ou o Mestre d'Aviz, ou a Dona Constança, ou a Nau Catrineta, ou a Maria Rapaz!

E o Dantas teve cláque! E o Dantas teve palmas! E o Dantas agradeceu!

O Dantas é um ciganão!

Não é preciso ir para o Rossio p'ra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!

Não é preciso disfarçar-se p'ra se ser salteador, basta escrever como o Dantas! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar côco e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Dantas!

Morra o Dantas, morra! - PIM!

O Dantas nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!

O Dantas é um autómato que deita p'ra fóra o que a gente já sabe que vai sair... mas é preciso deitar dinheiro!

O Dantas é um soneto d'elle-próprio!

O Dantas em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum!

O Dantas nú é horroroso!

O Dantas cheira mal da boca!

Morra o Dantas, morra! - PIM!

O Dantas é o escárneo da consciência! Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!

O Dantas é a vergonha da intelectualidade portuguesa! O Dantas é a meta da decadência mental!

E ainda há quem não córe quando diz admirar o Dantas!

E ainda há quem lhe estenda a mão!

E quem lhe lave a roupa!

E quem tem dó do Dantas!

E ainda há quem duvide de que o Dantas não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!

Vocês sabem quem é a sorôr Mariana do Dantas? Eu vou-lhes contar:

A princípio, por cartazes, entrevistas e outras preparações com as quais nada temos que ver, pensei tratar-se de sorôr Mariana Alcoforado a pseudo autora d'aquellas cartas francesas que dois ilustres senhores desta terra não descansaram enquanto não estragaram para português. Quando subiu o pano também não fui capaz de distinguir porque era noite muito escura e só depois de meio acto é que descobri que era de madrugada porque o Bispo de Beja disse que tinha estado à espera do nascer do sol!

A Mariana vem descendo uma escada estreitíssima mas não vem só, traz também o Chamilly que eu não cheguei a ver, ouvindo apenas uma voz muito conhecida aqui na Brasileira do Chiado. Pouco depois o Bispo de Beja é que me disse que ele trazia calções vermelhos.

A Mariana e o Chamilly estão sozinhos em cena, e às escuras, dando a entender perfeitamente que fizeram indecências no quarto. Depois o Chamilly, completamente satisfeito despede-se e salta pela janela com grande mágoa da freira lacrimosa. E ainda hoje os turistas teem ocasião de observar as grades arredondadas da janela do quinto andar do Convento da Conceição de Beja na Rua do Touro, por onde se diz que fugiu o célebre capitão de cavalos em Paris e dentista em Lisboa.

A Mariana que é histérica começa a chorar desatinadamente nos braços da sua confidente e excelente pau de cabeleira sorôr Ignez.

... veem descendo p'la dita estreitíssima escada, várias Marianas todas iguais e de candeias acesas menos uma que usa óculos e bengala e anda toda curvada para a frente o que quer dizer que é a abadessa. E seria até um excelente personificação das bruxas de Goya se quando falasse não tivesse aquela voz tão fresca e maviosa da tia Felicidade da vizinha do lado. E reparando nos dois vultos interroga espaçadamente, com cadência, austeridade e imensa falta de corda... quem está aí?... e de candeias apagadas?

Foi o vento, dizem as pobres inocentes varadas de terror... e a abadessa que só é velha nos óculos, na bengala e em andar curvada para a frente manda tocar a sineta que é um dó de alma o ouvi-la assim tão debilitava. Vão todas para o coro, mas eis que, de repente batem no portão e sem se anunciar, sobe a escada e entra no salão um Bispo de Beja que quando era novo fez brégeirices com a menina do chocolate.

Agora completamente emendado revela à abadessa que sabe por cartas que há homens que vão às mulheres do convento e que ainda há pouco vira um de cavalo a saltar pela janela. A abadessa diz que efectivamente já há tempos que vinha dando pela falta de galinhas e tão inocentinha, coitada, que naqueles oitenta anos ainda não teve tempo para descobrir a razão da humanidade estar dividida em homens e em mulheres. Depois de sérios embaraços do Bispo é que ela deu com o atrevimento e mandou chamar as duas freiras de há pouco com as candeias apagadas. Nesta altura esta peça policial toma um bocado de interesse porque o bispo ora parece um polícia de investigação disfarçado de bispo, ora um bispo com a falta de delicadeza de um polícia de investigação, e tão perspicaz que descobre em menos de meio minuto o que o público já está farto de saber - que a Mariana dormiu com o Noel. O pior é que a Mariana foi à serra com as indiscrições do bispo e desata a berrar, a berrar como quem se estava marimbando para tudo aquilo. Esteve mesmo para se estrear com um par de murros na corôa do bispo no que se mostrou de um atrevimento, de uma insolência e de uma decisão refilona que excedeu todas as expectativas.

Ouve-se uma corneta tocar uma marcha de clarins e Mariana sentindo nas patas dos cavalos toda a alma do seu preferido foi qual pardalito engaiolado a correr até às grades da janela a gritar desalmadamente pelo seu Noel. Grita, assobia e rodopia e pia e rasga-se e magoa-se e cai de costas com um acidente do qual já previamente tinha avisado o público e o pano também cai e o espectador também cai da paciência abaixo e desata numa destas pateadas tão enormes e tão monumentais que todos os jornais de Lisboa no dia seguinte foram unânimes naquele êxito teatral do Dantas.

A única consolação que os espectadores decentes tiveram foi a certeza de que aquilo não era a sorôr Mariana Alcoforado mas sim uma merdariana - aldantascufurado que tinha cheliques e exageros sexuais.

Continua o senhor Dantas a escrever assim que há-de ganhar muito com o alcufurado e há-de ver, que ainda apanha uma estátua por um ourives do Porto, e uma exposição das maquetes para o seu monumento erecto por subscrição nacional do Século a favor dos feridos da guerra, e a praça de Camões muda em praça Dr. Júlio Dantas, e com as festas da cidade pelos aniversários, e sabonetes em conta "Júlio Dantas", e pasta para os dentes, e graxa Dantas para as botas, e comprimidos Dantas, e autoclismos Dantas e Dantas, Dantas, Dantas... e limonada Dantas - magnesia.

E fique sabendo o Dantas que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor dos Lusíadas é o Dantas que num rasgo memorável de modestia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.

E fique sabendo o Dantas que se todos fossem como eu haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar.

Mas julgais que nisto se resume a literatura portuguesa? Não! Mil vezes não!

Temos além disto o Chianca que já fez rimas para Aljubarrota que deixou de ser a derrota dos Castelhanos para ser a derrota do Chianca!

E as pinoquices de Vasco Mendonça Alves passadas no tempo da avozinha! E as infelicidades do Ramada Curto! E o talento insólito do Urbano Rodrigues! E as gaitadas do Brun! E as traduções só para homem do ilustríssimo excelentíssimo senhor Mello Barreto! E o Frei Mata Nunes Moxo! E a Ines sifilítica do Faustino! E as imbecilidades de Sousa Costa! E mais pedantices do Dantas! E Alberto Sousa, o Dantas do desenho! E os jornalistas do Século e da Capital e do Notícias e de todos os jornais, todos os jornais! E os actores de todos os teatros!

E todos os pintores das belas artes, e todos os artistas de Portugal que eu não gosto! E os da Águia do Porto e os palermas de Coimbra! E a estupidez de Oldemiro César e o Doutor José de Figueiras Amante do museu o ah! oh! os Sousa Pinto e os burros de Cacilhas e os menús de Alfredo Guisado! E o raquitico Albino Forjaz de Sampaio, crítico da Luta a que o Fialho com imensa piada intrujou de que tinha talento! E todos os que são políticos e artistas! E as exposições anuais de Belas Artes! E todas as maquetas do Marquês de Pombal e as de Camões em Paris! E os Vaz, o Estrela, os Lacerda, os Lucena, os Rosa, os Costa, os Almeida, os Camachos, os Cunhas, os Carneiros, os Barros, os Silva, os Gomes, os velhos, os idiotas, os imbecis, os párias, os ascetas, os arrangistas, os impotentes, os acelerados, os Lopes, os Peixotos, os Mota, os Godinho, os Teixeira, os Camar, o diabo que os leve, os Constantino, os Grave, os Mantua, os Bahia, os Mendonça, os Brazão, os Alves, os Albuquerques, os Sousa, e todos os Dantas que houver por aí!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

E as convicções urgentes do homem Cristo pai e as convenções catitas do homem Cristo filho!...

E os concertos do Blanch! E as estátuas ao leme! ao Eça e ao despertar de tudo! E tudo o que seja arte em Portugal! E tudo! Tudo por causa do Dantas!

Morra o Dantas, morra! - PIM!

Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus!

O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!

Morra o Dantas! Morra! - PIM!

José Almeida Negreiros, Poeta d'Orpheu Futurista e Tudo

publicado por es3cebc9c12h às 16:11
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Gil Vicente

Gil Vicente

O Auto da Barca do Inferno é uma complexa alegoria dramática de Gil Vicente, representada pela primeira vez em 1517. É a primeira parte da chamada trilogia das Barcas (sendo que a segunda e a terceira são respectivamente o Auto da Barca do Purgatório e o Auto da Barca da Glória).

Os especialistas classificam-na como moralidade, mesmo que muitas vezes se aproxime da farsa. Ela proporciona uma amostra do que era a sociedade lisboeta das décadas iniciais do século XVI, embora alguns dos assuntos que cobre sejam pertinentes na actualidade.

Diz-se "Barca do Inferno", porque quase todos os candidatos às duas barcas em cena – a do Inferno, com o seu Diabo, e a da Glória, com o Anjo – seguem na primeira. De facto, contudo, ela é muito mais o auto do julgamento das almas.

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Auto_da_barca_do_inferno
publicado por es3cebc9c12h às 09:33
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Obras Plásticas de Auto-retratos de Almada Negreiros

Auto-retrato

Auto-retrato

Auto-retrato

Auto-retrato em grupo

publicado por es3cebc9c12h às 08:59
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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

António Gedeão

Nascido em 1906, contemporâneo dos poetas da presença, só em 1956 António Gedeão (1906-1997; pseudónimo de Rómulo de Carvalho, metodólogo de Ciências Físico-Químicas no ensino secundário, autor de trabalhos nos domínios da didáctica das disciplinas da sua especialidade, e da historiografia e divulgação científicas) publica o seu primeiro livro de poemas, Movimento Perpétuo. Entre esse ano e 1961 dará a público outras duas colectâneas, Teatro do Mundo, 1958, e Máquina de Fogo, tendo oportunidade logo em 1964 de reunir a sua produção poética nas Poesias Completas, acompanhadas de um importante e exaustivo estudo de Jorge de Sena, também ele homem de formação científica. Até aos princípios dos anos 90, as Poesias Completas, que a partir da 2ª edição, em 1968, passam a incluir Linhas de Força, de 1967, conhecerão uma dezena de edições, circunstância muito rara no panorama da edição poética portuguesa de Novecentos e que dá bem a medida da popularidade alcançada durante esse período pela obra de António Gedeão, que beneficiou igualmente da difusão que lhe foi dada por alguns nomes importantes da nossa música popular e de intervenção.

No momento em que António Gedeão se estreia como poeta (sublinhe-se que já então é autor de trabalhos didácticos ou de divulgação científica e que, como pode ver-se na edição da Obra Completa, de 2004, desde muito jovem escreve poemas), é muito forte entre os autores emergentes a consciência de fazerem parte de uma tradição moderna, que remonta aos tempos do Orpheu, ou mesmo a certas figuras-chave anteriores como Cesário, Nobre ou Pessanha. Jorge de Sena dirá que Gedeão realiza, na sua poesia, uma síntese das grandes conquistas do Modernismo, e, em certo sentido, poderá mesmo afirmar-se que ele é um dos primeiros a levá-las a um público mais alargado que a lírica moderna, com algumas das suas ousadias, ainda não fora capaz de aliciar. A par de uma original reelaboração do legado modernista, sem dificuldade se reconhece igualmente nos versos de António Gedeão um poeta identificado com o espírito do tempo que presidiu à sua estreia literária. Assim o vemos, numa época dominada pelas filosofias da existência, entregue ao «desespero», a um mal-estar que vem das zonas mais fundas e turvas da consciência de existir. Ou dando expressão aos seus receios perante a «bomba», a capacidade de auto-destruição do homem, em tempo de guerra fria. Esse pessimismo casa bem com a condição que é também a sua de herdeiro do cepticismo iluminista: «Os homens nascem maus./ Nós é que havemos de fazê-los bons.» Mas a herança do iluminismo permite-lhe, ao mesmo tempo, alimentar a confiança no homem: «Eu sou o homem. O Homem./ Desço ao mar e subo ao céu./ Não há temores que me domem./ É tudo meu, tudo meu.» Desse mesmo legado é possível aproximar, por outro lado, a sage ironia que o leva, em “Poema do fecho éclair”, a meter a ridículo o poder de um dos grandes do mundo por tudo possuir mas não conhecer um dos mais correntes artefactos do homem  moderno, ou, em “Dia de Natal”, a fazer a denúncia  do desenfreado consumismo próprio dessa quadra.

Numa fase da evolução da nossa lírica moderna em que já se verificara o alargamento dos domínios da poesia ao que era tido por não poético, uma das grandes novidades que os versos de António Gedeão trazem é a presença, muito marcada, neles da linguagem científica. Homem de ciência, ligado a conceitos e terminologias que preenchem quotidianamente a sua actividade, não separa, na sua poesia, Rómulo de Carvalho do seu alter ego literário António Gedeão. Pelo contrário, chega a fazê-los coexistir num mesmo texto, como acontece na famosa “Lição sobre a água”, em que o leitor colhe a impressão de que é o cientista que fala nas duas primeiras estrofes, para, na estrofe final, ceder a voz ao poeta. De outras vezes, à expressão da indignação do humanista, tantas vezes já gasta pela retórica do panfletarismo, prefere o poeta a austera eficácia da demonstração e da evidência científicas, como na antologiadíssima “Lágrima de preta”. A isto acresce o uso recorrente de termos científicos, respondendo a uma indeclinável necessidade gerada pelos próprios temas, sem que o poeta ponha de parte um dos grandes prazeres que a sua arte lhe reserva, o da nomeação, para o caso incidindo no que é a sua experiência interiorizada de todos os dias de homem de ciência.  E aqui é a linguagem poética que se enriquece e as imagens e metáforas que ganham outro fulgor e novos modos de nos surpreender, numa decidida ampliação do campo expressivo, com o recurso a realidades evocadas por termos como, entre muitos outros, «protoplasma», «cisão do átomo», «neutrão», «colódio», «ácidos», «bases», «sais», «cloreto de sódio», «suspensão coloidal», «dissolvente», «aminoácido».

No plano da forma da expressão, é possível traçar uma linha evolutiva na poesia de Gedeão, entre o livro de estreia em meados dos anos 50 e a última colectânea, vinda a lume em 1990. Permitir-nos-á ela notar a predominância do metro regular nos livros publicados na década de 50, Movimento Perpétuo e Teatro do Mundo, a adopção de ritmos mais livres embora mantendo-se ainda o uso da rima nos volumes editados nos anos 60, Máquina de Fogo e Linhas de Força, e uma clara opção pelo verso livre não rimado nas duas últimas colectâneas, Poemas Póstumos, de 1983, e Novos Poemas Póstumos, de 1990. Nuns casos a forma escolhida aproxima-se das formas legadas pela tradição, que podem ser as que têm origem na poderosa tradição romancística, como se observa em “Cavalinho, cavalinho” e em “Ai Silvina, ai Silvininha”, ou as que entram num processo de interlocução com a tradição culta, trazendo à memória ora as Barcas vicentinas, em “Fala do homem nascido” ( «Minha barca aparelhada/ solta o pano rumo ao norte;/ meu desejo é passaporte/ para a fronteira fechada./ Não há ventos que não prestem/ nem marés que não convenham,/ nem forças que me molestem,/ correntes que me detenham» ), ora um dos mais glosados poemas de Camões em “Poema da auto-estrada”, aqui por via da distorção paródica ( «Voando vai para a praia/ Leonor na estrada preta./ Vai na brasa de lambreta.» ). Noutros casos, as suas opções formais aproximam-se, já no âmbito da tradição moderna, da combinação de diversos metros tão do agrado dos poetas da presença, ou, como é o caso, nos dois últimos livros, de modo mais nítido, do versilibrismo mais ou menos radical de que o Modernismo fez, em diferentes momentos, um dos seus mais apregoados instrumentos de libertação.

Registe-se ainda a incursão, em 1973, de António Gedeâo pela ficção narrativa em A Poltrona e Outras Novelas, e, em 1963 e 1981, pela literatura dramática, em RTX – 78/24 e História Breve da Lua, respectivamente, textos estes que podem ler-se, para além de um conjunto de ensaios literários, em Obra Completa , de 2004.

por Fernando J. B. Martinho

http://www.instituto-camoes.pt/CVC/figuras/antoniogedeao.html

 

Equipa do 11ºC

 

publicado por es3cebc9c12h às 09:41
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Almada Negreiros

Escritor e artista plástico, José Sobral de Almada Negreiros nasceu em S. Tomé e Príncipe a 7 de Abril de 1893. Foi um dos fundadores da revista “Orpheu”(1915), veículo de introdução do modernismo em Portugal, onde conviveu de perto com Fernando Pessoa. Além da literatura e da pintura a óleo, Almada desenvolveu ainda composições coreográficas para ballet. Trabalhou em tapeçaria, gravura, pintura mural, caricatura, mosaico, azulejo e vitral. Faleceu a 15 de Junho de 1970 no Hospital de S. Luís dos Franceses, em Lisboa, no mesmo quarto onde morrera seu amigo Fernando Pessoa.

As duas orientações de busca e criação de Almada Negreiros foram a beleza e a sabedoria. Para ele "a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste" (Freitas, 1985). Almada Negreiros foi um pintor-pensador. Foi praticante de uma arte elaborada que pressupõe uma aprendizagem que não se esgota nas escolas de arte; bem pelo contrário, uma aprendizagem que implica um percurso introspectivo e universal.

O tema principal de Almada foi o número, a geometria (sagrada) e os seus significados, declarando que a sabedoria poética e a sabedoria reflectida têm entre elas a fronteira irredutível do número. Almada revela-se assim um neopitagórico sendo este seu lado a fonte mais profunda da sua inspiração e da sua criatividade e, segundo Lima de Freitas, a sua “loucura” central.

Vulto cimeiro da vida cultural portuguesa durante quase meio século, contribuiu mais que ninguém para a criação, prestígio e triunfo do modernismo artístico em Portugal. Na sua evolução como pintor, Almada passou do figurativismo e da representação convencional dos primeiros tempos, para a abstracção geométrica, matemática e numérica que caracteriza as suas últimas obras.

A sua preocupação central foi a determinação do enigmático Ponto de Bauhütte. Essa procura ficou registada por vários textos, por numerosos traçados geométricos e por algumas pinturas a preto e branco que Almada foi acumulando, mas sem tornar público o fundo do seu pensamento. Antes de romper o quase segredo da sua busca, Almada realiza, para o Tribunal de Contas de Lisboa, um dos cartões para tapeçaria intitulado «O Número».

 

http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm2000/icm33/Almada.htm

 

Equipa: Manamana – Nádia Fernandes, João Maurício, Tiago Santos, André Costa, Mónica Fernandes

 

publicado por es3cebc9c12h às 09:16
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